Quero criar uma plataforma de marketplace, como faço?

O que Alibaba, Uber e AirBnB têm em comum? Todos operam marketplaces, um modelo de negócios em crescente, visado por muitos empreendedores, que possui características operacionais diferentes de e-commerces tradicionais e, por isso, merece atenção especial.

Talvez Uber e Airbnb não venham à sua mente tão facilmente como exemplos de marketplace, então pensemos no Alibaba. No eBay. Na Amazon. No MercadoLivre. No Submarino.

Empresas desse tipo fornecem uma plataforma online para vendedores exibirem e comercializarem produtos ou serviços em troca de uma taxa, um percentual que é descontado do valor de cada negócio fechado, referente à intermediação da plataforma.

Marketplaces, portanto, são como grandes shoppings virtuais, portais colaborativos que conectam clientes/compradores e vendedores/prestadores de serviços num só lugar. No Alibaba, a “vitrine”, ou a tela do seu dispositivo, exibe produtos físicos. No Uber, motoristas particulares. No Airbnb, quartos e casas alugáveis.

Nós analisamos o marketplace do ponto de vista do empreendedor que deseja criar uma plataforma de e-commerce desse modelo, e abordar tudo de que ele precisa saber antes de operá-la. Em junho, falaremos de marketplace para os vendedores.

Destrinchando o marketplace

O marketplace é um negócio de cauda longa que tem como principal fonte de receita a cobrança de tarifa em porcentagem sobre o volume transacionado de cada vendedor. Volume em moeda, volume em número de transações e gestão de capital de giro são a base do seu modelo de receita.

A operação da plataforma é caracterizada pela intermediação. Ou seja, ela deve prover os meios para compradores e vendedores fecharem negócios. Por isso, o core business do marketplace deve ser a tecnologia e o financeiro.

Tecnologia porque a plataforma é o “local de encontro” de vendedores e compradores. É crucial que a plataforma tenha funcionalidades capazes de garantir que produtos/serviços sejam configurados, ofertados e editados pelos vendedores.

Dependendo do volume, o marketplace deve oferecer uma API para que grandes vendedores subam seus produtos/serviços no portal. Ter uma arquitetura escalável, também, vai permitir que a plataforma se adeque a esse volume.

Lidando com o dinheiro


Como dissemos, a gestão financeira é o outro ponto do core business de um marketplace. E isso fica claro quando listamos o mínimo de partes envolvidas num negócio realizado na plataforma: intermediador (marketplace), prestador (vendedor) e cliente final (comprador).

Num e-commerce tradicional, por outro lado, não há intermediador, o que torna o fluxo de distribuição de receitas mais simples.

O marketplace é responsável por realizar transferências e comissionamentos (distribuir e repassar o valor pago pelo cliente final aos vários comerciantes dos quais ele comprou).

Para que não ocorra bitributação, o ideal é que transite por sua conta bancária somente o valor referente à sua operação de intermediação. Para isso você deve operar sob o CNAE 74.90-1-04 (Atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários).

Desenvolver do zero uma solução para lidar com todas essas operações tem alto custo financeiro e longo tempo de desenvolvimento. Mas você pode contar com uma das arrojadas infraestruturas financeiras brasileiras, como da startup iugu, que possui funcionalidades de marketplace e oferecem APIs para automatizar toda operação financeira.

Barrando possibilidades de fraudes

Ok, você criou enfim um marketplace e está começando a hospedar as primeiras lojas que querem usar seu portal para vender.

Mas as facilidades oferecidas pelo seu marketplace aos vendedores podem atrair pessoas mal intencionadas que talvez apenas se mostrem como fraudadoras quando for tarde demais. Implementar um processo de análise de risco é, portanto, imperativo.

Há quadrilhas que agem criando lojas em marketplaces e comprando seus produtos com cartões roubados. O dinheiro das vendas, sem ciência do operador do marketplace, é então repassado para os fraudadores. Há também quem receba os pagamentos e não entregue os produtos ou serviços prometidos.

Verificações no processo de criação de conta de um vendedor no seu marketplace podem impedir esse e outros tipos de ações maliciosas. Ao criar uma loja em seu marketplace, peça ao vendedor o envio de documentos, tais como cartão CNPJ, contrato social da empresa, documentos dos responsáveis, comprovantes bancários, etc.

Cheque a veracidade das informações pessoais e jurídicas compartilhadas pelo usuário durante o cadastro. Para isso, utilize soluções como a da Serasa Experian.

Já para analisar a veracidade da compra, recomenda-se também a contratação de um serviço antifraude. A startup brasileira Konduto tem uma ótima solução, e a americana SiftScience possui um algoritmo de inteligência artificial que aprende os riscos das transações para a primeira camada de análise, que é feita automaticamente.

E quem emite a nota fiscal?

A operação de um marketplace pode causar dúvidas sobre a emissão de nota fiscal. Quem está comprando de quem afinal? Quem tem a obrigação de expedir o documento?

O vendedor deve emitir a nota fiscal de venda para o comprador, enquanto o operador do marketplace precisa expedir o documento para o vendedor, somente com o valor cobrado pela intermediação do negócio.

Caso o custo da tarifa de processamento de pagamento esteja embutido no desconto do intermediador, o mesmo sofrerá bitributação, pois sua nota fiscal inclui o custo de intermediação, acrescido ao custo de processamento de pagamento.

O ideal é construir a arquitetura de pagamento com o split payment, que faz a distribuição automática de valor para cada parte.

Lembre-se: as notas fiscais são importantes nos casos de chargeback. Enquanto intermediador, é responsabilidade também do marketplace lidar com contestações de compra (quando o cliente final alega à operadora do seu cartão que não reconhece a cobrança e pede o dinheiro de volta).

Se o vendedor da sua plataforma optar por abrir uma disputa contra a posição desse cliente, ele terá de providenciar todos os documentos que comprovem a entrega do produto/serviço (nota fiscal, comprovante de entrega, trocas de emails etc.). Mas é o marketplace, enquanto intermediador, que vai apresentar a documentação do seu vendedor para a operadora de cartão do cliente.



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